UM ANO DE CONHECIMENTO – UM PROCESSO NÃO LINEAR

Texto de: MARCELLA CARONE, 04/10/16

 

Cursar um mestrado no exterior representava a possibilidade de ampliar o meu conhecimento como arquiteta e aprender novas formas de pensar – O design computacional e o uso de algoritmos genéticos, aplicados ao contexto urbano, eram um campo misterioso para mim e o principal motivo pela escolha do Emergent Technologies, na Architectural Association. Inicialmente, minha busca limitava-se apenas a conceitos que pudessem auxiliar no mapeamento e no design urbano, mas o intenso ano de mestrado não só me ensinou as ferramentas para alcançá-los, mas também me levaram a questionar o meu papel como arquiteta e urbanista. O período do EmTech claramente modificou a arquiteta que eu costumava ser e a maneira como agora entendo os desafios a serem enfrentados; não somente no espectro da arquitetura, mas também na vida.

Na minha carreira no Brasil, o desenho de projeto sempre foi abordado como um processo linear; e eu nunca imaginei que poderia ser diferente. Ao contrário de todo o meu aprendizado como arquiteta, o EmTech mostrou-me uma nova direção desde o primeiro dia, colocando-me fora da minha zona de conforto e incentivando-me a ter novos insights e respostas. Durante um ano de curso e diversos workshops, percebi meu pouco conhecimento em relação a muitas áreas da arquitetura e foi esse vazio que me estimulou a buscar, cada vez mais, novas explicações. O caminho não foi fácil, uma vez que o processo de aprendizagem, que caracteriza o EmTech, é composto por uma sequência de falhas – aprendi que o processo é mais importante do que o resultado final; e que o conhecimento será adquirido pela observação críticade de cada etapa. O incessante questionamento é muitas vezes frustrante, mas eu agora entendo que ele necessário para a obtenção de resultados que não haviam sido pensados inicialmente – um ciclo de aprendizagem.

Em uma avaliação de todo o ano, no primeiro termo, de setembro a dezembro, o curso abordou o estudo de sistemas de materiais e representou a minha completa imersão em um novo campo da arquitetura, onde não só desenvolvi minhas habilidades computacionais, mas também adquiri conhecimento teórico e novas referências projetuais; tudo era novo. Já no segundo termo, de janeiro a março, o foco foi o uso de computação para projetos urbanos –o período que entendi como a tecnologia pode ser usada para o desenho do novo urbanismo. (Veja os artigos: “Computação Evolutiva e as Cidades do Futuro” e “Desenhando o novo Urbanismo”)

Como consequência do meu interesse por urbanismo, e seguindo os conceitos estudados na segunda fase do curso, o meu tema de dissertação foi a possibilidade de agregar fazendas urbanas ao desenho de novos tecidos urbanos. (Veja: Cidades X Agricultura: Desenho Urbano e Possibilidades de Integração). Os meses iniciais da pesquisa foram valiosos para que eu compreendesse como a coleta de dados e seu apropriado cruzamento é importante para o design computacional – e esta foi a habilidade mais valiosa adquirida durante o EmTech – a capacidade de levantar questões, com base em dados extraídos, e direcionar as respostas para um design mais adequado.

Acredito que todo o conhecimento obtido ao longo desse ano acadêmico pode ser traduzido de forma muito eficaz para atuais projetos urbanos. Não só pelo uso de novas ferramentas, que claramente abordam problemas de forma mais precisa, mas também pelo reconhecimento de diferentes abordagens, que convergem a novos questionamentos e soluções. Transmitir essa nova perspectiva sempre foi um dos meus objetivos – Obrigada IPIU por abrir esse caminho.

imagem1Apresentação Core II. Estratégia urbana para o Leste de Manchester. Parceria AA e MSA. Emtech + CPU

imagem2Final Jury Core II – Proposta para East Manchester

imagem3Exposição Project’s Review – Junho de 2016

imagem4Exposição Project’s Review – Junho de 2016

imagem5Jury Final Termo 3 – Dissertação – O projeto estuda a implementação de fazendas urbanas em cidades para o futuro. Como a inserção de agricultura pode mudar o tecido urbano e quais serão os impactos no comportamento dos habitantes perante a nova realidade. O trabalho é baseado no Design Computacional e no uso de algoritmos genéricos para otimização de morfologias.