Gestão da comunidade – Gestão Participativa – Engajamento cidadão

Texto de: MARCELO MOTA, 11/05/16

 

A eficácia das políticas públicas e das prestações de serviços nas comunidades locais depende muito do envolvimento do cidadão na sua condução, podendo impactar de forma real o funcionamento das cidades, incentivando a cooperação entre os governos e os governados, em busca de melhores resultados para a qualidade de vida.

Na grande maioria das nossas cidades, as ações são decididas em um processo onde os gestores públicos fazem as regras e os cidadãos as seguem. Um exemplo claro no Brasil é o cidadão que cumpre o seu papel votando nas eleições e depois que os candidatos são eleitos, não tem nenhum tipo de participação e nem oportunidade para contribuir com as políticas públicas da sua região.

Atualmente, os governos de um modo geral não se preocupam realmente com as necessidades cotidianas do povo e pouca ou nenhuma atenção é dada nas audiências públicas e essas servem apenas para legitimar o que já estava decidido anteriormente, atendendo aos interesses políticos. Com o engajamento do cidadão no processo decisório na aplicação das políticas públicas, tem-se o intuito de garantir que essas escolhas gerem benefícios reais para a população.

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Audiência pública – Fonte: Plano de bairro: Perus em transformação – Fórum público

 

Cada processo de participação deve ser adaptado à realidade da população, sua cultura e seus valores locais. Os gestores devem ter credibilidade para adquirirem a confiança dos seus cidadãos e devem promover isso de forma inclusiva e com diversidade de público ao planejar as suas políticas públicas, dispor de tempo para compilar as informações e ser de fácil acesso envolvendo a comunidade durante as fases iniciais de planejamento, criando canais de aproximação através de fóruns e reuniões públicas informais, novas mídias com redes e plataformas digitais, aplicativos móveis, redes sociais, etc. para que os cidadãos participem de forma fácil e rápida. Após esses processos, os gestores devem passar um Feedback onde as opiniões são colhidas e selecionadas, formando debates, incorporando algumas ideias quando possível e compartilhando as prioridades, mostrando que a participação coletiva de todos é importante, mesmo que não sejam na totalidade, incorporadas à política na sua finalização, mas sem dúvida alguma influenciando no resultado do processo.

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Uso de aplicativos em smartphones. Fonte: autor desconhecido

 

Todas essas informações devem ser compiladas e comunicadas com uma linguagem acessível e de fácil compreensão a todos.

Muitas tarefas devem ser entendidas como responsabilidades coletivas dos cidadãos e quanto maior o envolvimento de todos, mais força se obtêm para a implantação de futuros projetos e resolução de problemas existentes. Isso é participar da vida política e tem a ver com diálogo, intermediação e negociação de conflitos e interesses. O cidadão é o principal responsável pelos bens públicos e o Estado apenas usufrui de uma parte do poder cedido pelo povo.

Mudar o Status Quo é um processo demorado e requer tempo para que essas mudanças aconteçam, fomentando um engajamento interno e externo, tornando essa nova forma de gestão uma nova cultura.

Um exemplo de uma plataforma de engajamento cidadão é o Colab.re, que tem como objetivo fazer uma cidade melhor aproximando os cidadãos e as municipalidades de mais de 25 cidades brasileiras, onde com a palma da mão, através de um smartphone, pode-se publicar e fiscalizar os problemas do cotidiano das cidades e ainda ter a oportunidade de propor ideias e avaliar os serviços públicos, acompanhando o andamento do processo de forma transparente e tornando a gestão mais eficiente e colaborativa com uma maior participação da sociedade no direcionamento das políticas públicas

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Colab.re. Fonte: dc.clicrbs.com.br

 

Esse tipo de participação entra para preencher um gap existente entre as pessoas e o poder público com o objetivo de resolver os problemas comuns das cidades. O governo tem uma enorme dificuldade para comunicar aos seus cidadãos sobre suas realizações e suas ações para resolverem os problemas apresentados pela população, além de poder integrar informações e torná-las públicas para a sociedade, proporcionando e contribuindo para aumentar a consciência dos deveres e direitos existentes.

A tecnologia auxilia os cidadãos na aproximação entre os indivíduos e permite também uma troca de experiências entre as mais variadas camadas da sociedade, facilitando o engajamento em projetos que contribuem para a melhoria do bem viver de todos.

As empresas privadas podem também utilizar a tecnologia de informação de dados para desenvolverem seus negócios e ainda contribuírem para o desenvolvimento sustentável das comunidades em que estão inseridas.

Um dos benefícios das Smart Cities é o compartilhamento de informações, “a Internet das Coisas”, que pode proporcionar através de inteligência de dados, possibilidades de resoluções de problemas de forma mais ágil e fácil. Com o engajamento cidadão pode ser formada uma grande comunidade e, para que ela funcione, todos tem o dever de fazer a sua parte, interferindo e exigindo seus direitos.

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Internet das coisas. Fonte: www.profissionaldeecommerce.com.br

 

Uma comunidade associada e organizada dispondo de ferramentas participativas tem um poder muito grande para transformar seu espaço de vivência. A população que vive na cidade é a maior especialista nos seus problemas.

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Conceitos de Smart City. Fonte: blog.schneider-electric.com

 

REFERÊNCIAS

Lukensmeyer, Carolyn J.. Bringing citizen voices to the table: a guide for public managers. United States of America, published by Jossey-Bass, 2013.

SALGADO, Elisabeth Carvalho de Oliveira; SALGADO, Francisco Guilherme de Almeida. Plano de bairro: Perus em transformação. São Paulo, SP, Cia dos Livros, 2012.

http://thecityfixbrasil.com/ – acessado em maio de 2016

http://www.colab.re/ – acessado em maio de 2016