Cidades x Agricultura: Desenho urbano e possibilidades de integração

Texto de: MARCELLA CARONE, 11/07/16

 

Dois terços da população mundial deve viver em cidades até 2030 (Onu-Habitat). Com o aumento significativo da população, a questão de espaço deve ser discutida e as cidades existentes deverão prever sua densificação e expansão. O conceito de agricultura urbana, seus benefícios e limitações está claramente relacionado com a expansão das cidades e o aumento da demanda – não somente por um novo desenho urbano, mas também por alimento para a futura população. É possível integrar agricultura urbana no desenho das novas cidades?

Na agricultura tradicional é necessário espaço e, com o desenvolvimento das cidades, cada vez mais a produção de alimentos apresenta-se fora das bordas urbanas. Além da questão espacial, o clima e a quantidade de água e luz são fatores determinantes para o cultivo, dificultando a sua implantação em grande escala, no tecido urbano. Por outro lado, cidades como Havana, Shangai e México apresentaram alternativas para problemas de segurança alimentar com implantação de agricultura na cidade – exemplos de ações inicialmente comunitárias e de cooperação que evoluíram para uma escala urbana e, nesses casos, as características climáticas favoreceram a implantação dos projetos, uma vez que alimentos podem ser produzidos ao longo de todo o ano.

No entanto, muitas cidades não conseguem atingir essa eficiência sem o uso de métodos artificiais, que são capazes de criar microclimas próprios para o cultivo. Estufas, fazendas verticais e o uso de hidropônicos são exemplos do uso de tecnologia para produção de alimentos em climas rigorosos e com a utilização de menos espaço e água.

Uma vez que a produção de alimentos está diretamente relacionada com o clima, o problema de segurança alimentar deve ser tratado a nível mundial. Relatórios de alterações climáticas (IPCC) preveem não só a fragilidade de mercados dependentes, mas também a redução da produção de grandes exportadores. Como exemplo, Estocolmo apresenta uma taxa de autossuficiência de 50%-55% quanto a produção de alimentos (produtos diários como carne e cereais) e a maioria das colheitas ocorre somente em determinadas épocas do ano, fazendo com que a importação seja a solução. Além disso, Estocolmo apresenta um crescimento populacional significativo de aproximadamente 11.000 habitantes ao ano, devendo atingir 1 milhão em 2020, o que exigirá o planejamento para mais espaço e alimento.

Já é provado que a agricultura urbana é possível, mas a discussão é como introduzi-la no processo de planejamento urbano contemporâneo, em maior escala. Para isso é preciso entender as necessidades da cidade em termos de espaço, consumo de alimentos, rede de distribuição e possibilidade de integração com sistemas agrícolas. Em minha dissertação de mestrado procuro entender qual seria a porcentagem de integração cidade/farming desejada e se é possível agregar agricultura a cidades do futuro. Para isso, utilizaremos não só ferramentas que calculam o impacto do projeto na cidade existente e seus habitantes, mas também algoritmos genéticos para otimizar o desenho da morfologia urbana e garantir a melhor relação entre os dois sistemas.

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Grupo de dissertação: Anna Barros | Marcella Carone | Krzesimir Poplawski

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Crescimento urbano como oportunidade para a implantação da agricultura urbana

Imagem3Métodos de análise e desenho  – Processo de desenho